UMA MEMÓRIA ETERNA

Hoje me perguntaram, qual é o nome do médico que vai reoperar meu joelho. Pois bem, por mais que tentasse não consegui me lembrar. Acho que terei de colocar um implante de uma memória de cristal para guardar as minhas informações.

Diversos cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Jingyu Zhang, MindaugasGecevicius, MartynasBeresna e Peter G. Gazansky, publicaram um trabalho na PhysicalReviewLetters intituladoSeeminglyUnlimitedLifetime Data Storage in Nanostructured Glass, no qual os autores se referem a uma memória de cristal que poderá guardar com confiabilidade dados por, pelo menos 30 quintilhões de anos, ou seja, 3 x 10²⁰ anos.

A estrutura interna do cristal é modificada de forma estável, por isso, eles criaram uma nova forma de gravação de dados que é virtualmente indestrutível. Desse modo, eles conseguiram gravar dados no interior de um cristal de forma controlada e com elevada densidade.Como eles próprios citam : “ Uma memória eterna ".

Usando a potência de um laser pulsado - que emite pulsos de luz com 280 femtossegundos de duração cada um - os pesquisadores gravaram pequenas "ranhuras" no interior de uma pastilha formada por três camadas de quartzo.

Como, ao usar as três camadas, o laser registra no cristal também a intensidade e a polarização da luz, cada ponto gravado registra três bits de informação de uma vez.

Como os pontos gravados são muito pequenos, usando um disco do tamanho de um DVD - o protótipo é menor - é possível alcançar uma densidade de dados na casa dos terabytes.

O único inconveniente é que a gravação é lenta, chegando a 6kilobits por segundo - o grupo afirma que, aumentando a potência do laser, pode ser possível chegar a 120 megabits por segundo.

Para calcular a durabilidade das informações gravadas, eles fizeram experimentos para simular o envelhecimento da mídia, submetendo-a a várias temperaturas.

Conforme a temperatura sobe, a vida útil da memória de cristal cai. Contudo, a 189° C ela ainda duraria o equivalente à idade que se calcula que o Universo tenha: meros 13 bilhões de anos.

O protótipo é de tamanho pequeno, mas as pretensões é de que a memória tenha um tamanho de um disco de CD e, neste caso, guardaria informações na ordem de terabytes.

Eu não iria precisar de uma memória de cristal tão grande. Seria suficiente uma das pequenas para me garantir as memórias mais recentes, pois, as antigas tenho-as bem guardadas. Também nem precisava que durassem os 30 quintilhões de anos que prometem, pois, não me restam tantos anos assim. Que farei com os outros?