CONSIDERAÇÕES SOBRE A TEORIA DA EVOLUÇÃO

De outra feita, escrevi sobre as divergências entre a ciência ( duvida) e a religião ( fé) mostrando que a ciência não pode interferir nas idéias onde reside a fé. Onde há fé, não pode haver dúvidas. A ciência só atua onde a dúvida prevalece, pois, isso aguça a vontade dos pesquisadores no sentido de encontrar caminhos que possam por fim a ela. Pelo menos, que se possa dar origem a uma teoria que gere, num futuro,  

outras teorias mais atualizadas.

Quando Darwin estudava na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, começou a questionar se as aves tinham asas porque um Deus criador quis que elas voassem (fé) ou se elas podiam voar porque tinham asas (natureza).  Em 1831, ele empreendeu uma viagem no navio HMS Beagle que
tinha como capitão o jovem de 26 anos Robert FitzRoy. Nessa viagem eles visitaram as Ilhas de Cabo verde, a costa da América do Sul, o estreito de Magalhães, as ilhas Galápagos, o Thaiti, a Austrália, as Maldivas e Mauricius e retornaram à Inglaterra em 1833. Foi nessa viagem que ele leu o livro “Os princípios da Geologia” de Charles Lyell. Na época a visão focada era de que o mundo tinha sido criado há muito tempo e que só sofria modificações diante das forças da natureza. No entanto, o livro mostrava que o mundo era formado e modificado por forças geológicas contínuas, contrariando as idéias da época. Foi na América do Sul que ele encontrou, através de evidências fósseis, fortes indícios de que formas de vida complexas podiam ser o resultado de progressões de vidas mais simples. Dois anos depois, em 1835, voltou a viajar para as ilhas Galápagos e lá constatou que ela era uma ilha nova formada por lavas vulcânicas. Observou, também que havia uma grande variedade de tentilhões, que eram aves de viviam na ilha, que apresentava espécies com formatos de bicos que bem se adaptavam ao tipo de comida disponível no local. Em 1838, ele lendo por divertimento o livro do Reverendo Robert Malthus, através dos seus conhecimentos adquiridos nas suas viagens, constatou que a luta pela existência era de todos os animais. Viu, então que tinha uma teoria a desenvolver. Ele argumentou que sua observação se tratava de uma evolução por meio de uma seleção natural.


Seu livro, A Origem das Espécies, que apresentava os estudos sobre a Teoria da Evolução só foi escrita em 1859, depois que Darwin se viu ameaçado pelos trabalhos de Alfred Wallace, que também havia lido o livro de Malthus,  que havia estudado mais de 125.000 espécies do leste asiático. Ao concluir seu trabalho evolucionista, Darwin não só modificou o mundo da Biologia como, também o da Teologia.

No seu livro, A Linguagem de Deus, Francis Collins escreveu: “Não pode haver dúvida de que a Teoria da Evolução está fora de qualquer raciocínio ou análise.” É verdade, nenhum ser humano é capaz de raciocinar ou fazer uma análise aproximada quando tem pela frente a necessidade de reduzir os “eons” da história para transformá-los num espaço de tempo mais compreensível. É como se tivéssemos de transformar os 4,5 bilhões de anos da existência do planeta em, apenas 24 horas. Se isso pudesse ser feito, os dinossauros só iriam aparecer depois das 21 horas e sua extinção ocorreria às 23 horas e 40. O período evolutivo entre os chimpanzés e os humanos aconteceria em, apenas, um minuto e dezessete segundos e só três minutos depois surgiria o homem anatomicamente como ele o é hoje.

De qualquer maneira, sempre ocorrerão várias formas de controvérsias entre a evolução e a fé. Isto porque a evolução atingiu, principalmente, o âmago da nossa relação com o Criador.

Nascido em 1809, Darwin estudou, inicialmente para ser um religioso. Seu interesse pela natureza só apareceu depois, durante a sua viagem no HMS Beagle. Ele concluiu seu livro escrevendo o seguinte texto: “Há uma grandeza nessa visão da vida, com seus vários poderes, tendo ela sido lançada como o sopro da vida originalmente pelo Criador em poucas formas ou uma; e que, enquanto este planeta vinha orbitando de acordo com a lei da gravidade estabelecida, a partir de um início tão simples, inúmeras formas, cada vez mais belas e maravilhosas foram, e continuam, evoluindo.”

A Origem das Espécies é um dos livros mais influentes na história da ciência, mas, até hoje, não foi bem digerido pelo homem ainda muito arraigado à sua origem religiosa. Principalmente,  por não ter evoluído o suficiente no sentido de manter sua mente aberta para um melhor entendimento no que diz respeito aos primeiros indícios da linguagem de Deus.

BIBLIOGRAFIA:

  1. 1.Pequena História da Ciência, Dampier, W., Ed. Ibrasa, 1961.
  2. 2.Causalidade e Acidentalidade das Descobertas Científicas, Taton, R., Ed. Hemus.
  3. 3.Ciência, Moore, P., Ed. Ciranda Cultural, 2008.
  4. 4.Linguagem de Deus, Collins, F.S., Editora Gente, 5ª Ed., 2007.
  5. 5.A Enciclopédia da Ignorância, Duncan &Smith,W.(org.), Ed. Univ. Brasília, 1978.
  6. 6.Imagens retiradas da Internet.